8 de jun de 2017

Eu, México e Frida.

Ao decidir comprar as passagens pra essa tão esparada viagem, percebi que todos os vôos mais baratos tinham um tempo de conexão absurda de 12 horas na Cidade do México. Os únicos vôos diretos ou com poucas horas de espera faziam conexão nos Estados Unidos, porém mesmo pra uma simples conexão é necessário ter visto americano no passaporte, e eu não tinha. Sem chance de gastar com visto só por conta de uma conexão, tive que encarar assim mesmo. E aí comecei a saga entitulada "pago um hotel pra descansar depois do vôo ou gasto esse dinheiro visitando a cidade?", mas até que resolvi olhar a cotação do peso e descobri que com 100 dólares eu pagava hotel, táxi, visitava o museu da Frida Kahlo, o museu do Leon Trotsky e de quebra ainda tomava um mojito no centro da cidade!
Melhor conexão da minha vida.
O avião pousou as 6 da manhã e entre a fiscalização e o hotel se passaram duas horas. Havia bookado um motel beira de estrada pertinho do aeroporto pois só um chuveiro quente e uma cama pra eu dormir umas horas seria o suficiente, e assim foi. Acordei as 11, mais um banho e partiu conhecer o méxico!
Ter comprado os ingressos pro museu antecipadamente e com entrada em hora marcada foi a melhor escolha que fiz. A fila pra compra do ingresso na hora dava voltas no quarteirão! Eu simplesmente desci do táxi, mostrei o comprovante, e entrei. Me senti muito aquela blogueira fura-fila da Capricho, porém com sucesso.
No museu da Frida Kahlo fiquei exatamente 2 horas. Saí e fui andando até a Casa Leon Trotsky, que fica à apenas dois quarteirões de distância. Menos de 1 hora lá dentro, chamei um Uber pelo aplicativo e fui ao centro da cidade. Eu não havia comido nada desde o avião, eram 3 da tarde, eu estava morta de fome.
Procurei um lugar de comidas típicas até que na primeira mordida lembrei que eu não consigo comer pimenta! "Porra Vanessa, você vai pro México e esquece que lá só tem pimenta?" Sim, no auge do meu espírito aventureiro que ainda remanesce dos meus tempos de escoteira, sozinha em terra desconhecida, eu só queria uma coca-cola gelada pra tirar aquela ardência de mim... 
Barriga cheia, coca na mão, hora de conhecer o centro histórico da Cidade do México! Andei pela praça central, visitei a famosa Catedral Metropolitana, passeei por algumas ruas cheias de bares hipsters e ali parei pra finalizar com um Mojito essa deliciosa espera. Eram 6 da tarde. Hora de voltar pro hotel, tomar mais um banho e ir pro aeroporto pois meu vôo sairia às 21. 
O México foi pra mim uma surpresa. O clima agradável que fazia no dia, o choque instantâneo entre o antigo e o moderno, a simplicidade no olhar das pessoas e a simpatia com que todos me atenderam, e claro... a oportunidade de conhecer pessoalmente a história de Frida. Eu, ali, na casa dela, os mesmos passos que ela, olhando pro mesmo jardim, pela mesma janela, vendo suas obras originais naquelas apredes... Foi como um sonho.
Pra quem não conhece a Frida Kahlo, sugiro que dê uma leve busca. É uma mulher inspiradora,  que sofreu muito no corpo, na alma e no coração. A casa da Frida, hoje um museu, possui centenas de móveis, roupas, pinturas e fotografias originais. Mas o que mais me impressionou não foi apenas ver seus quadros ou sua mobília, e sim ver que assim como eu, a Frida amou. E como amou... O amor que ela sentia pelo Diego era palpável em cada canto daquela casa. Eu vi o amor dessa mulher estirado nos lençóis, eu vi o amor de Frida por Diego estampado nos recados que ela deixava pra ele na parede da cozinha, eu vi o amor de Frida escorrendo por toda a tinta azul daquela casa. Eu vi o amor de Frida nas fotografias tristes, no escritório escuro, nas notas sem sentido que ela rabiscara à lápis num papel. Eu vi o amor na beleza que ela via em meio ao caos, nas limitações que ela transformou em arte, no esforço que ela fazia pra tentar ser feliz. Mas vi também a amargura de um amor conturbado e não correspondido. E ali, eu  também me vi. 



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3 comentários:

  1. Adorei o texto, vc escreve muito bem! :3 Eu não sou fã dela, mas tenho uma coisa com o México, serio, vou me casar com um cara gato e maneiro de lá, rsrsr

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    Respostas
    1. ah, que legal que deixem tirar fotos, gostei muito disso, me senti um pouquinho ali dentro!

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  2. Me senti com você, no México, lendo seu post, tão detalhado e bem escrito, AMO haha ♡. Adorei as fotos do museu, também, tudo tão simples, delicado e belo *-*

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Obrigada pela visita e volte sempre ♥