17 de mai de 2017

Curitiba, duas malas e um coração partido.

Duas malas e um coração partido. Foi com isso que cheguei em Curitiba, 1 dia antes do Ano Novo e sem a menor ideia do que me esperava ali. Eu não conhecia a cidade e tampouco tinha intenção de conhecê-la, pois sempre tive aquele pensamento de que curitibanos eram chatos e não conversavam com ninguém! Imagina chegar assim toda efusiva que sou? Me sentia intimidade, mas minha melhor amiga me convidava, e eu realmente precisava de novos ares. 
Decidi então que passaria alguns dias com ela em Curitiba e comprei passagem pra ir pra São Paulo, onde eu voltaria a morar. A passagem estava marcada pro dia 18 de janeiro. No dia 10, entretanto, eu já tinha conseguido um emprego, já tinha alugado um quarto e estava vivendo um dos momentos mais intensos da minha vida.
Dia 18 chegou e eu sequer havia lembrado da passagem, que obviamente perdi, mas nem me importei. Desde o primeiro dia tudo vinha dando certo! Era uma sucessão de sorte inacreditável... eu consegui o freelance quando precisava, aluguei o quarto dos sonhos, consegui o emprego que eu tanto queria e fiz excelentes contatos. Eu estava tão feliz e realizada, conhecendo pessoas incríveis que pasme - não eram nada daquilo que eu pensava! Todos que passaram por mim foram extremamente amigáveis, recebi muito carinho de pessoas queridas.
Me faltam palavras pra explicar a felicidade em estar naquela cidade ao lado da minha melhor amiga. Cada cantinho de Curitiba me traz memórias especiais com ela principalmente. Como aquela cidade é linda! Cheia de flores e árvores, com suas ruazinhas charmosas de paralelepípedo que estragavam os nossos sapatos novos... Me convidar pra morar lá foi o melhor presente que a minha amiga poderia me dar. Nossas idas em busca de um lugar legal pra tirar fotos, passar o domingo no Passeio Público, dar uma esticada até a São Francisco e terminar em casa assistindo seriado. Os nossos rolês, fossem eles furados ou não, sempre rendiam boas histórias pra contar. E os nossos 10 anos de amizade não poderiam ter comemoração mais honrosa.
Foram 3 meses de muito chopp, muito beijo, fish&chips, hambúrgueres, abraços, bolinhos de carne sentada na calçada do Torto, muito samba e muito sexo. Cada dia era uma aventura diferente e eu já acordava gargalhando tentando imaginar qual a próxima maior loucura que estava prestes a me acontecer.
E como já era de se esperar, a loucura maior aconteceu: um belo dia eu recebi uma proposta de ir morar na Bélgica por alguns meses. Confesso que à primeira instância eu exitei em aceitar. Afinal, as coisas estavam dando tão certo pra mim, eu estava rodeada de pessoas legais, vivendo momentos incríveis, porquê largar tudo rumo ao desconhecido? Só pelo deslumbre de estar na Europa? 
Mas aí pensei em como isso poderia ser muito mais que apenas diversão: poderia ser uma excelente oportunidade não só de experiência profissional como principalmente de de crescimento pessoal. Lembro que aos 18 anos, quando fui morar sozinha em São Paulo, amadureci muito durante os 4 anos em que vivi lá. Minha percepção de vida, felicidade e futuro mudaram completamente. E por isso, ao analisar a proposta de ir pra Bélgica, pensei que agora aos 26, quase 10 anos depois do dia em que disse pra minha mãe que iria passar só alguns dias em SP(sendo que já estava até com inscrição na universidade aprovada) eu estava pronta pra mudar mais uma vez a minha percepção sobre o mundo e sobre mim mesma. 
E então, mesmo com aquela dorzinha em deixar a minha melhor amiga, as pessoas especiais que me cercavam e aquela cidade que eu tanto estava apaixonada, eu aceitei a proposta.
Peguei minhas malas, botei um curativo no meu coração e então parti.



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